Como nos amaríamos no mundo?
Como surdos se comunicam no escuro?!
Por que falou em amor se não nos tocamos?
Se nossas línguas com polos iguais...?
Se estamos presos em celas diferentes?
Se verei teu sorriso nunca mais?
Nunca partilharemos uma noite a sós.
Esse amor tímido, escondido na concha, minha pérola.
Esse amor é pele morta.
É o sexo das ostras.
Nossa paixão, o que há de mais oculto.
A cocaína no aeroporto.
Mesmo nós não sabemos se existe.
Que desaparece, espuma na praia.
Cocaína no aeroporto.
Rezando pra não ser descoberto.
Mas que um cão rompa o silêncio calcário
Uma gota de limão na carne.
Neste coração inteiramente aberto.
Meu amor que o tempo havia refeito.
Partículas no ar.
Joias nas narinas e sem espirrar.
Cocaína no aeroporto.
A mentira mais óbvia.
Que me enforque a mímica.
Que te veja de novo.
A concha de um sentimento morto.
A droga a incinerar.
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