terça-feira, 29 de março de 2011

Tempo

Tempo que não passa,
Onda que não volta.
Disse do pra sempre.
Entre e não saia.
Ganhe e não tenha.
Rápido e fundo.
Sonhos e sonhos.
No me gusta esperar.
Tempo que não passa.
Dito do pra sempre.
Onda que não volta.
Tempo que não passa.

terça-feira, 22 de março de 2011

Outono

É Outono.
Quando os deuses simplesmente esquecem o quanto.
Tantas vezes despedi-me, o pranto.
Abril e Março, noite e não há sono.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Give Up

Mais um comprimido pelo ralo,
Mais um sonho abandonado.
Pois que a felicidade é inconstância.

E um dia toquei sua mão...
E ela nunca mais abriu os braços.
Eu me perdi no espaço.
A tarde inteira perdi em vão.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Recidiva

Tem coisa que não volta,
Mas você podia sim voltar.
Que as horas passam devagar
Sem você pra me fazer perder a noção de tempo.

Tem noite que nem durmo.
Eu não posso enganar a mim,
E todas as noites são assim
Sem você pra me fazer perder a noção de tempo.

Que nós, nós temos a eternidade desde já.
Se pra sorrir ou pra chorar,
Ah, você tem que decidir.

Tem coisa que não volta.
Eu costumo não voltar atrás,
Mesmo exceções a gente faz.
Dessa vez mudar é esperar, certo é talvez.

Tem noite que nem durmo.
E então resolvo não pensar,
Eu não pensarei mais doravante.
Penso em você até se não fosse um ser pensante. 

Que nós, nós temos a eternidade desde já.
Se pra sorrir ou pra chorar,
Ah, você tem que decidir.

'Que tem coisa que não sai do meu pensamento,
Mas tem coisa que nem sei,
Coisa que nem sei pra que pensar.
Se vamos terminar,
Me deixe ao menos escolher o nosso fim dessa vez.

Não vou lhe perguntar, lhe esperar o mesmo sim-não,
Pois vai ser um final ruim.
Ah, você tem que decidir.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Bad Trip

Não é fácil.
Mesmo quando estou na boa,
Pedir socorro sem conhecer ninguém.
E esperar a polícia que nunca vem.
Não é fácil, mesmo quando estou na boa,
Um segundo de paz.
Mesmo quando estou completo uma parte a mais.
Molhados num incêndio não é fácil.

Ou morrer com um comprimido letal entalado.
Comprimido de farinha e sal.

Mas estou meio fora do ar.
Estou fora de área ou desligado.
Não é fácil estar para seres. 
Seres, como nós, que somos.

Não é fácil.
Mesmo pra seres como nós que nunca assumem.
Que passam a noite em claro.
Que dormem fora de casa.
Seres como nós tem mais de um nome no cartório,
E volta a correspondência.
Não é fácil nem mesmo quando estou de boa,
queimar o feriado,
Pedir uma opinião, se nunca tenho trocado,
Trocar os pronomes à vossa excelência.

Volta a correspondência.

Mas estou meio fora do ar.
Estou fora de área ou desligado.
Não é fácil estar para seres. 
Seres, como nós, que somos.

Tratamento de choque

Não tenho mais conseguido ver o vento.
Fui aspirado pelo tempo?
Pelo álcool?
Pelas calças jeans?

Parece que morreremos no trabalho,
Como abelhas, viciados em mel.
Como freiras, engomando o hábito.
Como ladrões, escapando às grades.
Como pássaros, retornando ao ninho.
Como vacas, ignorando o abate.
Como deuses, meros mortais.

Levando choques até ter esquecido tudo.
Choques até ter esquecido tudo.
Choques até ter esquecido tudo.
Choques até ter esquecido tudo.

Parece que vivemos escondidos,
Como pornografia, numa gaveta.
Como espasmos, numa madrugada.
Como apostas num cavalo.
Como medos, num equilibrista.
Como vagalumes no Sol.
Como precipícios no acaso.
Como revelações, no cemitério.
Como o azul no arrebol.


Levando choques até ter esquecido tudo.
Choques até ter esquecido tudo.
Choques até ter esquecido tudo.
Choques até ter esquecido tudo.

Pressa

Eu estava perdido e com meus pés acorrentados.
Via o futuro que já era passado.
Como o tempo tem passado depressa.
Acordei com meus pensamentos vagos.
Nunca mais fui feliz deveras.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Conto: Um Computador e um Velho

Como nascemos?
De um dia saber, o infinito zerar, estamos à mercê.
Mas como um velho enfrentaria um computador?
Retinas opacas, perto o estrangeiro, o novo e quadrado disco voador.

Mas hoje não há o que fazer.
Como e por que essas pessoas magras, que ainda nem sabem nem ao menos de si, entendem as máquinas?
Mas hoje não há o que fazer.
Retinas opacas.
Estava dormindo. Era um velho. Nunca ria.
Retinas opacas.
Aqueles olhos que assustam quando veem consigo e ao próximo.
Desafiarão a ordem e o caos. Tão minúsculos olhos, tanta coisa vivida; um pedido de paz.
A força do homem se acaba um dia.
Não lhe respeitam sequer os animais.

Foi embora, ao volante, dirigindo lento.
Como se a velocidade até no carro quebraria seus ossos.
Percebeu que não sentiriam sua falta.
Mas ele sentia amor pelo filho crápula; à sua imagem e semelhança.
Um dia não retornaria à garagem.
O amor pelo filho.
O desprezo deste.
Aos filhos só lhes interessam os próprios filhos.
Por isso odiava os netos.
Que vêm aos sábados e abrem o computador.
Um velho jamais vê um computador.
Ao computador não  importa o velho.
O velho abrindo os olhos - um plano frustrado.
Teria ele desistido da vida.
Um velho não se dá luxo de sonhos.
A um velho Deus só reservou as lembranças, as saudades.
Que têm pensado?
Que viveria eternamente como criança?
Que passaria a ponte sem pagar pedágio?
Que tens na cabeça, velho?
Pra que sonhas?...
Vivo, o velho, viu a máquina.
Tudo que as pessoas querem, por que trocaram Deus por um monte de fios.
Se um dia ficasse a sós com ela a quebraria.
O que é uma máquina,
Quando viu nascerem bois e ovelhas;  e quando os viu cruzarem, e a terra secar, e os filhos gritarem? Filhos dos filhos. Não decorara salmos, mas agora sabia rezar...

Não sabia rezar.
Sabia repetir.
Mas o que muda orar? Era um velho!
Iria mesmo morrer.
Comprou e pagou; estavam quites.
Deus, ora, Deus!
Esse de quem todos falam.
Todos estão mudos, pois!

O velho.
Um barco direto às rochas.
Uma garrafa em alto mar, quem ler-lhe-ia se o abrisse?
Com a pele que sobra nas articulações. Maldita seja!
Pele se encontrava nele até dentro dos ossos.
Uma estátua automotiva - um moribundo ambulante.

Perdido e só, desinteressante.
No reveillon todos saíram e deixaram-no com a empregada.
Maldita pele em excesso.
A mulher desaparecera.
Estava num quarto.
De frente pra ela - até a empregada servia agora aquela que, o próprio Deus, sabotara: a Máquina.
O velho olhou.
Retinas opacas e o velho viu.
E o que velho viu justificou todo seu intento.
Seria... a máquina do tempo?

Respiração

Daqueles sons que fazes à noite mas não dorme.
Mas não dorme,
Mas finge não saber onde paramos de respirar.
Por isso gasta o tempo só.
Que a nós deveríamos a todo custo.
Se esses corações batessem interfusos
No ritmo fácil dos pés e braços
Que findará ao entrar Agosto.

Por que você nunca diz
Aquela frase que todos dizem e que fala de amor?
E quanto mais me inspira, me inspira...
E cerra os olhos mas não dorme.

No labirinto que tuas palavras criam.
Uma vez tive andado.
Do paraíso cego que lhe perder me torna.
De fechar os olhos e não poder mais dormir.
E te ver calar pra não repetir a mesma cena
Que é fruto dos disparates que nasceram antes de nós.
Mesmo antes de existir se dorme?


Por que você nunca diz
Aquela frase que todos dizem e que fala de amor?
E quanto mais me inspira, me inspira...
E cerra os olhos mas não dorme.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Coisas que não voltam e Horas que não passam

Tem coisa que não volta,
Mas você podia sim voltar.
Todo vira lata quer um lar.
Pra chegar sempre que mais ninguém
quer-lhe afagar.

Que nós temos o céu e a vida inteira desde já.
Se pra sorrir ou pra chorar...
Ah  você pode decidir.

Tem hora que não passa.
Quando jura que está a vir,
Me distraio com o despertador.
Nunca mais me peça, por favor: lhe deixar em paz.

'Manhã o sol levanta, a festa acaba, eu vou embora.
Alguém aí pra abrir a porta.
Que eu não sei dizer adeus.