Fui aspirado pelo tempo?
Pelo álcool?
Pelas calças jeans?
Parece que morreremos no trabalho,
Como abelhas, viciados em mel.
Como freiras, engomando o hábito.
Como ladrões, escapando às grades.
Como pássaros, retornando ao ninho.
Como vacas, ignorando o abate.
Como deuses, meros mortais.
Levando choques até ter esquecido tudo.
Choques até ter esquecido tudo.
Choques até ter esquecido tudo.
Choques até ter esquecido tudo.
Parece que vivemos escondidos,
Como pornografia, numa gaveta.
Como espasmos, numa madrugada.
Como apostas num cavalo.
Como medos, num equilibrista.
Como vagalumes no Sol.
Como precipícios no acaso.
Como revelações, no cemitério.
Como o azul no arrebol.
Levando choques até ter esquecido tudo.
Choques até ter esquecido tudo.
Choques até ter esquecido tudo.
Choques até ter esquecido tudo.
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