quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Tenho medo da noite

Tenho medo da noite porque vem todo dia.
E quando vem os olhos não percebem mas veio e mudou tudo.
E fechou portas e janelas; e acendeu as luzes; e soltou as vozes.

Mas as luzes são tão frias, as estrelas tão distantes.
Tenho medo de ser tão frio quanto.
E me perder assim tão longe.
E não enxergar mais.
Medo do planeta não girar mais.

Quando vem já mudou tudo.
Mudou as palavras ditas.
Os professores se calam.
Os pobres oram, a festa só começa - são truques da burguesia -
A noite é marketing.

Só tenho medo da noite porque ela não descansa.
Eu não durmo para vigiá-la.

Plantão.
Insones.
Gritos, silêncio.
Roncos.

Tenho raiva da noite também porque foge quando fizemos as pazes.
E depois virá outra mas nunca a mesma, e tenho de encará-la.
Talvez azul, talvez, mas hoje não sentirei sono.

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